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Plano de Ordenamento da Orla
Costeira - Inquérito
Público
Na
sequência do anúncio publicado no Diário Insular de 1 de Setembro, a
publicitar o inquérito público do POOC (Plano de Ordenamento da Orla
Costeira) da ilha Terceira, esta Associação endereçou, à Direcção
Regional do Ordenamento do Território e dos Recursos Hídricos, as
seguintes recomendações:
1-
Em nossa opinião, como forma de recolher o maior número de
elementos para a elaboração deste documento, deveria consultar-se os
presidentes das Juntas de Freguesia próximas do litoral. Entendemos
ainda, encontrarem-se estas entidades, mais próximas das populações.
Acresce o facto, da nova Lei das Autarquias Locais atribuir amplas competências
ao nível do planeamento municipal entre estes dois níveis de administração,
para a feitura de figuras de planeamento deste tipo.
2-
No tocante à paisagem edificada, para as zonas urbanas e urbanizáveis
ao longo da faixa costeira, nomeadamente, Salga, Contendas, Salgueiros,
Porto Martins e arredores e Vila Nova, é importante definir-se, de forma detalhada,
- à semelhança de um plano de pormenor - como se pretende que cada local
seja urbanizado, definindo índices, cérceas máximas, espaços verdes e
infra-estruturas e ainda, requisitos estéticos com vista à edificação,
de modo a preservar a qualidade do património edificado e não se
perderem as características arquitectónicas típicas da Região
3-
Na zona das Contendas, em nossa opinião, dados os valores de ordem
ambiental, paisagística e histórica, entendemos que deverá ser
totalmente interdita a construção ou edificação - incluímos neste
caso, estufas, adegas e atafonas, apenas se permitindo a manutenção e
recuperação do existente. O mesmo se aplica à zona da Serreta (Farol e
Fajã) e Fajã da Alagoa na Agualva.
4-
Nas Cinco Ribeiras (zona do Porto e área de reserva agrícola),
Salga e arredores e Porto Martins, será de interditar ou limitar ao máximo
a construção, com índices de construção muito apertados, só
permitindo a construção de casas típicas do local.
5-
Em todas as zonas
acima referidas bem como nos Biscoitos, as adegas existentes ou a
construir, terão de ser verdadeiras adegas. Actualmente, em toda a
Região, assiste-se à construção de inúmeras casas que inicialmente se
destinavam a adegas e cuja utilização foi desvirtuada.
6-
Na faixa entre a
Serretinha e Porto Judeu, deve condicionar-se a construção de modo a
preservar a vista para os Ilhéus, em virtude de ser cada vez mais difícil
observar a paisagem naquele local.
7-
É urgente a recuperação da paisagem nas áreas de antigas
bagacineiras, com especial atenção para as situadas entre a Salga e as
Contendas.
8-
Nos ilhéus das Cabras, deve ser proibida a exploração ovinícola
lá existente de modo a proteger as aves (e o abandono das próprias
ovelhas) que ali nidificam. Para além disso, o sobre pastoreio poderá
levar à erosão do solo.
9-
Relativamente aos Biscoitos, a Zona do Verdelho, terá de
ser classificada como paisagem protegida.
10-
Deve criar-se forte
regulamentação na abertura de vias de comunicação junto ao litoral, só
se procedendo à abertura de novas estradas quando esgotadas todas as
alternativas possíveis.
11-
A electrificação na
faixa costeira deve ser subterrânea, dando especial ênfase às zonas
anteriormente mencionadas (Salga, Contendas, Porto Martins, Biscoitos,
etc), não descurando o troço Silveira - S. Mateus.
12-
No que respeita aos
postes de betão, entendemos que estes não resultam bem. Exemplo disso é
o estado de degradação dos postes junto ao mar, devido ao salitre, e que
foram colocados há menos de dois anos. Deve optar-se por postes de
madeira pré-tratada em virtude de terem uma duração média de cem anos.
13-
Na criação de zonas balneares, deve ter-se um especial cuidado neste tipo de intervenção, sendo preferível
a criação de zonas balneares naturais ou com facilitadores integrados.
14-
Quanto à paisagem
natural, deverá proceder-se à recuperação (do que resta) do Paúl da
Praia da Vitória e preservação do novo Paúl da Pedreira, na zona
industrial do porto da Praia.
15-
Na Praia da Vitória,
deverão ser proibidas as intervenções que possam reduzir ainda mais o
areal existente.
16-
Deverá proceder-se ao
inventário da fauna e flora de toda a orla marítima, em ordem a poderem
tomar-se medidas de
protecção adequadas.
17-
Deverá ser interditada a construção de zonas balneares
"particulares" (como exemplo apontamos a zona balnear a
revitalizar junto ao novo Hotel do Fanal e Areias Brancas) devendo
criar-se meios de acesso, pela população, às já existentes, como é o
caso de algumas baías no Caminho de Baixo- S. Mateus.
Finalmente,
há que interditar de vez a construção no domínio público marítimo.
Além de razões legais, também há que ponderar, nesta matéria, razões
de ordem climatérica (logo de segurança para as populações) que têm
afectado e que se prevê afectarem o nosso planeta.
PLANO DE
PORMENOR E PLANO DE URBANIZAÇÃO DA ENVOLVENTE DA BAIA DE ANGRA DO HEROÍSMO
A Cidade de Angra do Heroísmo
desenvolveu-se segundo um traçado original em malha ortogonal, tendo em
conta a protecção aos ventos predominantes, constituindo assim um modelo
urbanístico de características peculiares e talvez únicas, adaptado a
condições climatéricas especiais.
Durante séculos a sensível malha de
quarteirões de arquitectura mista vernacular e senhorial foi conservada
malgrado todos os sismos, enchentes e acidentes que tem sofrido,
nomeadamente o sismo de 1980, após o qual, houve quem defendesse a
construção de uma cidade completamente nova.
Qualquer intervenção desastrada, poderá
directa ou indirectamente, mesmo sem a princípio se poder dar conta,
destruir o equilíbrio da malha urbana, tal como a herdámos e como,
associada ao facto histórico da exploração marítima, contribuiu para a
classificação da Cidade.
Aquando da elaboração dum Plano deste tipo
deve ter-se em conta a relação afectiva e a memória que muitos angrenses
têm da sua cidade. Não se pode nem se devem apresentar propostas com a
frieza subjacente ao sentimento de não pertença.
Este Plano propõe alterar definitivamente o
desenho urbano da cidade, o qual foi uma das razões para Angra ser eleita
Património da Humanidade.
Entendemos que estamos perante
decisões que não podem ser tomadas com a leviandade a que temos vindo a
assistir, em nome dum “Progresso e Desenvolvimento” pouco evoluído e
culto, por que descontextualizado. É preciso ter em mente que o tão
desejado Turismo não traz só coisas boas. Como dizia José Hermano Saraiva
numa conferência promovida pela Câmara Municipal de Ponta Delgada,
não se pode pensar que o turismo vai resolver todos os
problemas da região, até porque, se não for correctamente implantado,
apenas invade, polui e corrompe e não enriquece.
Lamentamos a autarquia (e outras forças
vivas, incluindo nós próprios que nos ficámos pela discussão interna) não
ter promovido qualquer discussão pública sobre este assunto visto
tratar-se dum Plano que implica alterações bastante pronunciadas na cidade
de Angra do Heroísmo. Não é suficiente expor os documentos nos Paços do
Concelho e publicar o anúncio de consulta pública nos jornais. Até porque,
é impossível ler todos os documentos em pouco tempo. Não é numa visita à
Câmara que se consegue perceber tudo o que se propõem fazer. Para que se
comece a compreender alguma coisa deste Plano é preciso estudá-lo e
discuti-lo com mais gente.
Aliás, quem consultar os poucos comentários
que constam dos livros de Registos de Reclamações, Observações ou
Sugestões percebe a falta de interesse, informação e respeito bem como o
nível a que os cidadãos ainda se encontram perante a oportunidade que lhes
é dada de se manifestarem sobre decisões públicas. Os comentários, com
honrosas excepções, ou só fazem elogios, sem qualquer sentido crítico, o
que denota que não perceberam quase nada do que será feito pois, por mais
que se goste deste Plano é impossível não discordar ou questionar alguma
coisa ou, os registos são meras ordinarices do género ó meu, traz mas é
umas chavalecas que vais ver como o turismo sob, bordel 69 Internet!
Pensamos que teria sido pertinente que este
projecto tivesse sido materializado numa maqueta (muito diferente do
modelo tridimensional em computador: uma maqueta permite avaliar a
permanência, enquanto em computador fica-se sempre com uma ideia virtual
do que se pretende realizar).
Consultando o Plano de Urbanização da
Envolvente da Baía de Angra do Heroísmo e os Elementos Complementares do
Plano de Pormenor gostaríamos de tecer as seguintes
considerações:
O trabalho assenta em cartografia
desactualizada.
Cais da Figueirinha e Clube Náutico
Concordamos com a necessidade de
revitalizar e recuperar os imóveis aí existentes, desde que tal não
implique a sua total demolição. Referimo-nos à antiga casa do Guarda
Fiscal e às casas de aprestos. Por que razão não se integram estes
edifícios na recuperação prevista? São uma referência daquele local,
principalmente para os pescadores e frequentadores daquela zona.
Pensamos que se deveria dar importância ao
facto de ser um local de saída de embarcações de boca aberta, de prática
de escafandrismo e de pesca submarina. Por este facto as actuais
instalações de apoio a estas práticas deveriam ser mantidas e recuperadas.
Expliquem-nos, por favor, o sentido de se
criar uma zona balnear artificial num espaço que às 4 da tarde ficará sem
Sol. Terá isto sido ponderado?
Escarpa Central dos Quatro Cantos
Para a consolidação desta falésia
parece-nos estranha a proposta de retirar pedra do Monte Brasil visto
tratar-se duma Reserva Florestal de Recreio. Além disso, não especificam o
local de extracção nem as quantidades previstas.
Jardim dos Corte -Reais e Antigo
Mercado do Peixe
Esperemos que a construção da Marina traga,
ao menos, o aumento da área de utilização balnear. Contudo, a manter-se o
emissário com as dimensões e localização actuais parece-nos pouco provável
que haja a garantia de se poder usufruir daquelas águas com a devida
segurança...
Antes de se iniciar qualquer outro
projecto importante será arranjar verbas para construir o emissário
para fora do Monte Brasil, caso contrário, estamos a comprometer todos os
investimentos que se fizerem na cidade de Angra do Heroísmo, além da
ilegalidade que está associada a toda esta descarga de efluentes na baía.
Jardim dos Corte-Reais
Há sem dúvida um desaproveitamento
lamentável do Jardim dos Corte Reais. No entanto, alterar esta situação
não tem necessariamente de passar pela sua destruição.
Achamos que deveria ser encarada a
possibilidade de revitalizar e melhorar o actual Jardim mediante a
substituição de alguma da flora existente, criando-se zonas de
sombra e equipando-o com mobiliário urbano e
iluminação adequada.
Aliás, um espaço verde no centro urbano não
é de perder. É de recuperar.
Além do mais, o edifício proposto é
rematado por um terraço o que constitui uma imagem híbrida e dissonante,
sem qualquer relação com a envolvente existente, contradizendo até o que
deve ser uma frente urbana de remate: contínua, coerente, harmoniosa.
Os acessos pedonais, deverão ser suaves,
aprazíveis e harmonizadores da circulação entre a cidade e a marginal
(melhorar o existente no enfiamento da Rua da Palha e criar circulação
pelo Jardim)
Mercado do Peixe
Não percebemos a razão de demolir o
imóvel do antigo Mercado do Peixe. O próprio nome evidencia um passado só
por si suficiente para não ser arrasado. Como refere o Plano é um edifício
“ (...)detentor de significativa carga simbólica
(...)“.
O argumento apresentado “(...) se
encontra nos dias de hoje descaracterizado e descontextualizado da sua
envolvência urbana(...)” poderá ser sempre invocado a qualquer imóvel
menos característico, como será certamente, dentro de poucos anos, o
centro comercial que pretendem construir no Jardim dos Corte-Reais ou a
cobertura de recepção de passageiros no Porto das Pipas. O mesmo se poderá
dizer também do actual Clube Náutico.
Pátio e Cais da Alfândega e sua
articulação com a futura Marina
Para vencer o desnível entre o Pátio da
Alfândega e a marina apresentam três soluções das quais preferimos a
segunda que mantém a escadaria barroca, a qual deveria ser devidamente
recuperada (sem betão nem pastiche!). Não esquecemos o hiato que permanece
com a falta de levantamento e decisão de esconder com cimento as antigas
Portas do Mar.
Segundo consta os serviços da Alfândega
serão desactivados deste local pelo que restará outra estrutura com uma
localização excelente para mais uma unidade hoteleira.
Com a reconstrução da antiga Pensão Lisboa
parece-nos que a cidade de Angra do Heroísmo ficaria suficientemente bem
guarnecida de hoteis pelo que se torna desnecessário construir um hotel de
raiz na Encosta do Cantagalo.
Renovação Urbanística do Quarteirão da
Moagem
Quem não conhece a zona ribeirinha da
cidade do Porto, a zona ribeirinha da cidade de Lisboa e o enquadramento
que todos os antigos armazéns nela tiveram, a renovação a que foram
sujeitos alguns espaços industriais e o enquadramento que tiveram nos
hábitos citadinos actuais, a Fábrica de Pólvora em Oeiras...
... poderá perceber o estilo de destruição
que este Plano propõe.
A requalificação e recuperação da Moagem e
da fiada de edifícios adjacentes deverá ser encarada como um conjunto não
se admitindo desta forma a construção de novos edifícios alinhados pelo
espírito da modernidade mas desenquadrados da assimetria da História.
Ao proporem a transformação da Moagem para
uma unidade hoteleira, mais uma vez reiteramos ser desnecessário construir
outro hotel na Escarpa do Cantagalo.
O único acesso pedonal lógico e exequível
pelo cidadão comum é o da Rua Baixinha. Os propostos têm um grau de
inclinação tal que, só para atletas...
Entendemos ainda que a marginal deverá ter
um único sentido automóvel, um bom passeio para jogging e faixas para
bicicletas.
Encosta do Cantagalo e Remate da malha
urbana do Corpo Santo
Para a consolidação desta encosta são
propostos dois tipos de intervenção. A verificar-se a primeira proposta -
edificação na Zona central de um edifício de 6 pisos, estamos, à partida,
a contrariar o disposto no DL 29/99 de 31 de Julho que institui que os
edifícios não podem exceder três pisos. Há que ter em conta que um
Regulamento não pode contrariar um Decreto-Lei.
O prédio de 6 ou mais pisos a executar
junto à falésia não dispensa a consolidação da mesma. A falésia terá de
ser recuada.
O prédio tem 2000m2 de área do
lote e superfície total de pavimentos de 7500 m2. Trará uma
carga correspondente à de um hipermercado, insustentável mesmo sem o
tráfego adicionalmente gerado pelos serviços da marina.
As consolidações previstas, se não levarem
a “eventual” capa de pedra nem quebras de planos parecerão enormes
muralhas de betão. Os exemplos da consolidação da muralha do Castelo de S.
Sebastião e encosta dos Quatro Çantos deverão ser aplicados neste caso, a
gunitização deve ser liminarmente excluída.
Convém realçar ainda o custo
económico que implica a construção de um edifício naquele local. Escavar
uma encosta daquelas, transportar aquela terra toda, precaver que todas as
casas lá de cima não venham parar cá abaixo para depois fazer um muro de
30 metros de altura para, finalmente, construir um edifício que não é mais
do que uma fatia iluminada só de um lado... .é uma
aberração.
Sobre o remate urbano da malha do Corpo
Santo, ou seja, a construção no topo da encosta do Cantagalo, não alegando
sequer as razões históricas pelas quais as cidades Atlânticas dos
Descobrimentos estão de costas voltadas para o mar, nem os custos
económicos que tais investimentos acarretariam, não podemos deixar de
referir a perigosidade sísmica que aquele local apresenta e a sobrecarga
humana e viária que esses empreendimentos implicariam numa zona já de si
labiríntica (Corpo Santo).
Embora assentes
sobre uma falésia consolidada, as casas da fila a construir perto da
crista irão ter risco semelhante ao das que já lá existiram e, por razões
de segurança foram demolidas.
Porto das Pipas
Temos algumas reticências quanto à
necessidade de ser construída uma cobertura de acolhimento aos passageiros
fortemente marcante. Pensamos poder tratar-se duma construção dissonante
com os dois castelos.
Deverá ainda ficar garantido o livre acesso
a toda a zona do cais tendo em conta o hábito enraizado na população de ir
pescar para o Porto das Pipas, principalmente à noite.
O Plano não é explícito quanto à
dimensão das oficinas de pintura e fibra de vidro junto a bares e
restaurantes mas, propondo a retirada de toda a indústria da zona junto
aos celeiros, cremos tratarem-se de estruturas de apoio a pequenas
reparações a
embarcações de recreio. Oficinas tão poluentes no meio de espaços de
lazer, é de bradar!
Não será omissão grave e discricionária a
não referência a espaços sociais de outros clubes, nomeadamente O Clube de
Ar Livre e Angra Iate Clube, após proposta de reconstrução da sede do
Clube Naútico?
Zona do Relvão
Prevê-se a requalificação e
revitalização (bem merecida) do Relvão. No entanto, está em curso a
inauguração de importantes empreendimentos aí realizados
(mobiliário urbano, parques infantis e iluminação). Estes melhoramentos
estão já de acordo com este Plano?
Na memória descritiva refere-se a
construção dum polidesportivo naquela zona. Parece-nos desadequado e
desenquadrado por quanto existe mesmo ao lado um polidesportivo (antigo
ringue patinagem). Porém, na planta não conseguimos encontrar a sua
referência.
Os dois parques de estacionamento nos
socalcos a nascente parecem-nos poderem impor-se negativamente face ao seu
enquadramento com a Baía e o Castelo de S. João Baptista e Porta da Prata.
Aliás, parece-nos despropositado construir mais parques de estacionamento
naquela zona existindo a poucos metros o parque do cerrado do Bailão
Castelo de 5. Sebastião e Sua Envolvente
Não se compreende que tipo de espaço
público propõe o Plano para o espaço fronteiro ao Castelo de S.
Sebastião. Há que ter cuidado com as galerias subterrâneas à entrada do
Castelo e preservar toda a envolvente.
A planta 04 04 propõe demolir todas as
edificações dentro de castelo, incluindo a casa do capitão há pouco tempo
recuperada. Na planta 4/3 aparecem novamente estas construções, incluindo
o pré-fabricado. Não se percebe a discrepância.
Neste Plano também não apresentam qualquer
proposta para o edifício da antiga Tercon, o que nos espanta, dada a sua
dimensão e localização privilegiada. Pensamos que seria mais lógico e
razoável construir aí uma unidade hoteleira em detrimento à edificação dum
hotel na encosta do Cantagalo.
Mas o que mais nos surpreende é não ser
feita qualquer referência à Central Eléctrica, a qual já deveria ter saído
dali há muitos anos. Então propõem requalificar aquela área para uma zona
residencial com espaços de lazer e mantém-se uma estrutura altamente
ruidosa mesmo ao lado?
Área Verde da Falésia da Baía das Canas
Esta zona (bem como o Jardim dos
Corte-Reais e Encosta do Cantagalo) teria de ser desanexada da Reserva
Ecológica Regional a fim de nela poderem ser feitas intervenções.
Como o Plano prevê a reconversão para
parque habitacional de toda esta zona oriental da cidade, actualmente
ocupada pela actividade industrial, a• existência dum espaço verde e de
lazer seria fundamental.
Julgamos tratar-se dum local de
grande fragilidade geológica pelo que se impõe cuidados acrescidos aquando
de qualquer intervenção que se pretenda aí efectuar
Área
compreendida desde a Rua Vaz Corte Real, Quarteirão dos Silos, Av. Infante
D. Henrique, rua Álvaro Martins Homem.
Como a marina é já um um pólo de
geração de tráfego cuja gestão é fundamental, para não agravar a
pressão sobre a frágil rede viária e de infraestruturas, para desviar toda
a pressão que possa advir para as zonas mais afastadas do centro da Cidade
histórica apenas resta como área de expansão a zona nascente junto
aos combustíveis.
Não se percebe se o Plano propõe a retirada
desta zona de toda a indústria e comércio existente, o que seria
complicado de efectuar; se se pretende demolir e construir quase tudo de
novo, onde se vai realojar toda aquela gente?
E a recente venda de terreno aos CTTs, para
construção de armazém de cargas coaduna-se com estas propostas?
Apreciação Final
Brincando:
Por que não terá sido proposta a ligação
Monte Brasil- Castelo de 5. Sebastião, por teleférico?
A sério:
O Plano parece desconsiderar que esta zona
é Classificada ou está integrada na’ área de protecção à mesma.
O Plano parece desconsiderar que intervém
sobre uma cidade que tem um passado e uma História, por acaso algo
longínquos e significativos, passando um pano sobre hábitos, funções,
espíritos, cheiros... .vivências.
O Plano decide intervir, demolir isto e
construir aquilo quando especula sobre locais que são propriedade privada.
Como?
Resumindo, podemos concluir que não há
necessidade de construir muito mais no Centro de Angra. O que há a fazer é
recuperar, revitalizar e melhorar as estruturas já existentes, propostas
que ao longo da n/ exposição procurámos ir fazendo.
Já não é a primeira nem será certamente
a última resposta a uma consulta pública que elaboramos. Os resultados das
anteriores trouxeram-nos para esta pouco expectantes mas não menos
entusiasmados no empenho com que a fizemos.
Plano
Regional de Ordenamento do Território dos Açores
Na sequência do vosso ofício nº 2305 de
26/09/00, esta Associação tece as seguintes recomendações:
Considerações Gerais
1-
Em nossa opinião, como forma de recolher o
maior número de elementos para a elaboração deste documento, deveria
consultar-se os presidentes das Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais.
Entendemos ainda, encontrarem-se estas entidades, mais próximas das
populações.
2-
Na Globalidade o documento apresenta inúmeros
dados desactualizados e omitidos essenciais para que se
possa considerar no mínimo, um estudo de ordenamento de território.
3-
Não se vislumbra no documento em análise, um
estudo do desenvolvimento previsível para a Região para o tempo de
vigência do PROT. Está totalmente dissociado o ordenamento do território
do desenvolvimento económico. Não houve preocupação neste documento de
considerar quaisquer políticas de desenvolvimento económico. Assim
prevê-se que este documento, aliás de extrema importância para a Região,
acaba por cair em saco roto, transformando-se deste modo num grande
elefante branco.
4-
Discordamos totalmente da terminologia
utilizada na caracterização dos Centros - Aglomerados Urbanos. Ao
hierarquizá-los da forma como este documento o faz (e.g. centro superior;
centro de nível hierárquico inferior), conduz a uma estigmatização
daqueles núcleos. Deverá ser criada terminologia alternativa. Deve ser
evitada a habitual Macrocefalia de S. Miguel.
5-
Que implicações e consequências tem a
definição dos centros Regionais e Sub-Regionais.
6-
É essencial que fique assegurada a
articulação entre o PROT com as previsões dos PEOT (Plano Especial de
Ordenamento de Território) e dos POOC (Plano de Ordenamento da Orla
Costeira).
7-
Não menos
importante, será garantir uma compatibilização e conformidade entre as
propostas deste documento com os PDM já existentes e, aqueles que se
encontram em fase de elaboração.
8-
No geral este documento apenas diagnostica as
situações não apresentando propostas. Sendo um documento orientador,
obrigatório para as entidades públicas não define directrizes de
ordenamento o que permite uma total indisciplina e ausência de regras por
parte destas.
9-
Deverá haver um enorme cuidado na definição
do que sejam unidades de paisagem. Pensamos que este conceito tem de ser
articulado com o conceito de "classe de espaço" que consta da maior parte
dos PDM, tanto dos que estão em vigor como dos que se encontram em
elaboração.
10-
Deverá ser tratada em termos de regulamento e
cartografia a Rede Natura 2000 e, as Reservas Integrais e Reservas de
Protecção Especial. No tocante à caracterização da flora além de haver
muitos elementos desactualizados é incompleta.
11-
Não se deve permitir a desanexação da
Reserva Agrícola Regional de uma forma arbitrária, devendo este documento
dar especial atenção a esta problemática em virtude de ter capacidade para
vincular a s entidades públicas.
12-
Como matérias a acautelar começaremos por
salientar a necessidade de este documento prever orientações para a
arquitectura no sentido de ser preservada a Arquitectura Tradicional
Açoriana.
13-
Relativamente à estrutura de povoamento
linear, à face das estradas regionais, prática muito comum e enraizada no
nosso meio, julgamos que será de todo interesse contrariar. Isto porque,
não permite um ordenamento de território de qualidade, em virtude de não
possibilitar uma dinâmica social equilibrada, criação de pequenos espaços
verdes e de lazer, potenciando o isolamento das pessoas, sendo perigosa
dada a velocidade em que os veículos circulam. É de todo o interesse para
a qualidade de vidas das populações a implementação do sistema de
urbanização em bolsas ou outros sistemas convenientes.
14-
Deve criar-se forte regulamentação na
abertura de vias de comunicação junto ao litoral, só se procedendo à
abertura de novas estradas quando esgotadas todas as alternativas
possíveis. Além disto, constatamos a inexistência em cartografia, de
muitas vias de comunicação existentes e programadas.
15-
No Domínio Hídrico, nomeadamente lagoas
artificiais, furos de captação e ETARes, deverão ser feitas vedações
vegetais de modo a mitigar o impacte visual das estruturas e das suas
vedações que normalmente confere um aspecto de campo de concentração.
16-
A electrificação na faixa costeira deve ser
subterrânea. No que respeita aos postes de betão, entendemos que estes não
resultam bem. Exemplo disso é o estado de degradação dos postes junto ao
mar, devido ao salitre, e que foram colocados há menos de dois anos. Deve
optar-se por postes de madeira pré-tratada em virtude de terem uma duração
média de cem anos.
17-
A extracção de inertes mais propriamente o
caso das Bagacineiras deverá ser reordenada na Região, repensar a sua
envolvente, obrigar à recuperação das explorações desactivadas que muito
tem contribuído para alteração do relevo e o empobrecimento da paisagem.
18-
As zonas industriais não se encontram
devidamente contempladas, como este documento é um importante auxílio na
determinação do local de crescimento ou de novas zonas, seria importante
que fosse esclarecedor a este respeito e também à carga de poluição que os
centros urbanos anexos poderão suportar.
19-
Em relação à localização de equipamentos de
interesse local e regional deverá sempre atender ao PDM do respectivo
local e salvaguardando todos os pontos atrás mencionados.
QUE TURISMO PARA OS AÇORES?
O turismo é
das actividades que hoje em dia mais se incentiva e se apregoa como a nova
salvação para os Açores. 
Todavia, para nós, é
uma das áreas que mais nos assusta; assusta-nos, essencialmente, por
que é incontrolável. Como se pode impedir que entrem mais turistas?
Como se pode impedir que queiram ir passear para o interior da ilha? Como
se pode impedir que queiram descer às Fajãs? Como se pode impedir que os
preços subam tanto? Em suma, como se pode impedir aquilo que se promoveu?
As consequências negativas de se
transformar os Açores num roteiro turístico são tantas que ainda nem
entrámos nos destinos turísticos mais procurados e já há quem venha
alertar para o perigo que é promove-se um Encontro de Caça Submarina nos
Açores devido à grande delapidação que o mar do arquipélago já apresenta!
No entanto, de pouco tem servido estas
chamadas de atenção pois quem as faz não é bem visto e é considerado como
não percebendo nada de turismo.
Mas, afinal, há gente ligada à actividade
turística que também já está a ficar assustada, como se pode ler neste
elucidativo artigo da autoria de Daniel Melo, profissional de informação
turística, e publicado na revista “Ar Livre”, em Setembro de 1997 (o susto
não é de hoje...).
A indústria do
turismo é feita com pessoas para pessoas. E falar de turismo não significa
que se limite apenas à recepção de estrangeiros; pode-se gerar esta
corrente mesmo no mercado interno. A exemplo, uma festa religiosa da
padroeira numa pequena localidade; pode considerar-se um turista a quem
lá se deslocar com intenção de participar.
Dada a dimensão pequena de todas as ilhas
dos Açores, o impacto que a indústria turística traz pode ser fatal e
criar um grande desequilíbrio económico, se não for bem planeado. O maior
perigo é a inflação dos preços em flecha nos bens, serviços e sobretudo na
imobiliária. Um exemplo concreto disto acontece já na ilha de S. Miguel;
enquanto o metro quadrado ronda os 12 mil escudos em Ponta Delgada num
lote para construção, nas Furnas vai de 25 a 30 mil escudos. Deveria ser o
contrário, por se tratar de uma freguesia rural.
A riqueza do nosso destino é avaliada pela
nossa cultura, costumes e tradições que diferem de outras regiões e que
teimosamente temos que preservar. Como grande complemento, devemos
preservar ainda as nossas paisagens, estradas, ruas antigas e
arquitectura. Tudo isto é essencial para que continuemos a receber quem
nos quer conhecer de perto. Ao contrário, se tudo isto se perder, o
interesse pela região também irá excluir-se dos destinos turísticos.
De momento, o número de 3628 camas
distribuído pelas diversas ilhas é, na realidade, pouco para se poder
fazer uma oferta global para os Açores. Poderá crescer quase para o dobro;
no entanto, se isso acontecer para valores superiores a estes, será mesmo
muito problemático. Mesmo que se mantenha sempre a população residente,
podemos correr o risco agressivo da aculturação em demasia
imposta por quem nos visita, passando a ser uma região indefinida ou
sem identidade. Isto já acontece nas Ilhas Baleares, onde a
economia depende do turismo quase na totalidade. Para que isto não nos
aconteça, o planeamento e incentivos terão que ser rigorosos quanto ao seu
crescimento. Devemos ser humildes e aprender com os
erros dos outros, como é o caso actual do Algarve no nosso país.
O ideal seria manter um número de
visitantes que não ultrapasse em média os três pontos percentuais da
população do arquipélago, e que são cerca de 238 mil habitantes. Só
assim poderemos manter um destino com qualidade, ou seja, manter a nossa
cultura, ambiente, harmonia e tranquilidade. Uma aglomeração exagerada de
forasteiros, permanentemente no mesmo sítio, poderá provocar a falta de
capacidade de resposta nos serviços a prestar. Para o ambiente será fatal,
um espaço verde poderá suportar a passagem diária de 20 turistas, mas se
este número triplicar diariamente, ao fim de um mês o terreno ficará
pelado e descaracterizado. Não é isto que se pretende em termos de
futuro. O turismo é a indústria da paz, mas tenhamos coragem de dizer não
à massificação e à aculturação.
FAÇAM-SE
HOTEIS!
Mas não se
façam monstruosidades!
É na
qualidade de ser cidadão que vimos novamente abordar questões
relacionadas com Urbanismo e Qualidade de Vida. Felizmente, jà ninguém
pensa serem apenas os técnicos quem pode e deve abalizar sobre questões
que dizem respeito ao espaço onde vivemos e, consequentemente, à qualidade
de vida de todos nós. Outrora, temas deste género, eram tratados nos
gabinetes, à margem de qualquer discussão pública. Para nosso bem, a
partir de 1975 começaram a ser publicados uma série de diplomas que
consagram a participação dos cidadãos na tomada de decisão, no acesso aos
documentos da Administração Pública, na obrigatoriedade de estudos de
impacte ambiental e respectivas consultas públicas, etc, etc, etc.
No caso
concreto dos três hoteis que serão construídos na ilha Terceira, (Fanal,
Serretinha-Porto Judeu e Silveira -relativamente a este último,
desconhecemos ainda o projecto) é bom que se diga, desde já, que esta
Associação não está contra o facto de os construírem. O que questionamos é
o tipo de hotel que se pretende construir.
Se
compararmos o empreendimento proposto para a Serretinha com o que
pretendem construir para o Fanal, temos de reconhecer que no caso do Porto
Judeu houve a preocupação de criar uma relação harmoniosa com o espaço
envolvente. A construção de pequenos edíficios, dispersos e integrados no
declive natural do terreno, o uso de pedra local no seu acabamento
exterior, é, sem dúvida, um aspecto que contribuirá para o enquadramento
paisagístico deste complexo turístico.
Embora o “turista” que se pretenda para o
Hotel do Fanal seja diferente da que se preveja para a Serretinha, é
inconcebível que o projecto do Fanal seja uma estrutura monolítica, sem
qualquer originalidade, estrangulando a bela vista para o Monte Brasil - “
O Monte Brasil afirma-se (...), não só como o centro de uma das mais ricas
zonas paisagísticas da Ilha Terceira, mas ainda como uma zona altamente
impregnada pelos eventos históricos açorianos dos últimos quatro séculos
(...). Por estes motivos torna-se imperioso e urgente preservá-lo e
valorizá-lo. Ainda de acordo com o Estatuto de Paisagem Protegida do Monte
Brasil - Decreto Regional nº 37/80/A, de 7 de Fevereiro – “Os projectos de
que sejam objecto as áreas que vierem a ser definidas como reservas de
recreio, bem como para qualquer fim de natureza diferente, deverão prever
a integração na Paisagem ....“. Relativamente a este assunto – correcta
inserção na paisagem – muitas vezes contestado com base num fundamento de
subjectividade inerente ao juízo de valor de quem está em condições de
poder indeferir, relembramos que existem já estudos e métodos (conceitos
operatórios) que permitem, de algum modo, quantificar e qualificar bens
ambientais de forma a tratar certos juízos de valor subjectivos como
elementos objectivos.
É curioso
referir que o Regulamento Geral das Edificações Urbanas (RGEU) e o
Decreto-Lei nº 250/94 , de 15 de Outubro consagram a possibilidade de
indeferimento dum pedido de licenciamento de construção com base numa
incorrecta inserção na paisagem e na envolvente. Todavia, as Câmaras
Municipais raramente recorrem a este argumento, muitas vezes por uma
notória por falta de coragem.
O Hotel do
Fanal é flagrantemente desrespeitador da envolvente, não se coadunando nem
respeitando a paisagem urbana e natural onde se situa. Com a sua
construção, perde-se uma das vistas esteticamente mais equilibradas sobre
a baía, Monte Brasil e áreas conexas. Perde-se mais uma janela para o
horizonte deste mar Atlântico, aquela “linha”, lá ao fundo, sem a qual
qualquer açoriano se sente no cativeiro.
É preciso
que se reflicta sobre o que é e qual é o desenvolvimento que
se pretende para estas ilhas. Desenvolvimento não pode ser apenas
Crescimento. O verdadeiro desenvolvimento não deverá contribuir
para criar áreas de exclusão social, mas antes, aprofundar o valor
cultural do que já existe. Descaracterizar locais com o intuito de copiar
aquilo que já existe de pior em muitos outros locais (e que actualmente já
é evitado por grandes empresários – refira-se o caso dos empreendimentos
turísticos que estão a ser levados a cabo na península de Tróia e em que
se envereda por um total entrosamento dessas construções com a paisagem,
demonstrando o máximo respeito pela envolvente), é proceder descuidada e
levianamente à destruição de uma paisagem ainda harmoniosa e que é mesmo
cartaz turístico dos Açores.
Os
aglomerados urbanos comportam um espaço e componentes de carácter
colectivo que deverão ser concebidos, construídos, conservados e geridos
e, quando necessário, actualizados, muito em parte, pelo poder local.
Esta
actividade municipal de gestão da coisa comum implica objectivos de
carácter geral que poderemos resumir no conceito de desenvolvimento. Este
conceito, como nos referem eminentes especialistas em urbanismo e
ordenamento do território, dos quais destacamos o Prof. Manuel da Costa
Lobo, que de resto seguiremos de perto nesta exposição, encerra uma ideia
de promoção dos espaços humanizados e das suas populações, visando a sua
dignificação, a sua elevação cultural, a sua melhor integração política, o
seu conforto, a oferta de oportunidades de vivência alternativa, uma mais
justa distribuição dos recursos e dos acessos aos serviços.
Como se vê,
este conceito de desenvolvimento é muito distante do conceito de
crescimento, que implica aumento de população, crescimento dos
aglomerados, quantas vezes desregrado e descontrolado e que, infelizmente,
é tão frequente e a que urge obviar. Como exemplo flagrante, pense-se na
densificação de uma área central tendo como consequência visível grandes
congestionamentos de trânsito. É, sem dúvida, um crescimento, mas não é
obviamente um desenvolvimento. A população passa, de facto, a viver em
piores condições do que anteriormente., o que não pode apelidar-se de
desenvolvimento.
O Grupo de Trabalho de
Urbanismo e Ordenamento da Gê-Questa
Em que época
pensam que ainda vivemos?
Mais ao menos por esta altura escrevemos -
:“Nos Portões de S. Pedro nascerá um nova rotunda (...)”. Passado cerca de
um ano, podemos dizer – “Nos Portões de S. Pedro nascerá mais um hotel
horroroso”. No próximo ano esperamos poder dizer: -
“ em S. Carlos não será aberta uma nova
estrada que rebente com tudo o que são jardins, quintas e
quintais”. Oxalá!
Mês a mês, ano a
ano, o desespero é cada vez maior. Já tentámos várias instâncias para
fazermos valer a nossa voz e combater esta correria desenfreada para um
Progresso e para um Turismo que se adivinha desastroso para estas ilhas.
Estamos cansados de denunciar ilegalidades na aprovação destes projectos;
estamos fartos de participar nas consultas públicas onde o relatório
final alega sempre que as nossas sugestões não são fundamentadas;
como se os estudos de impacte ambiental, os despachos exarados e as
conclusões finais estivessem bem fundamentadas...
O que fazer quando
temos um Secretário do Ambiente indignado com as casas construídas,
ali, em cima do mar, numa Fajã de S. Jorge, mas não vê os hoteis
pendurados pelas falésias abaixo...em zonas de domínio público marítimo?!
Mais cedo ou mais tarde ninguém sentirá
alguma vantagem em viver aqui e o tão proclamado turismo ecológico
e turismo de qualidade dará o passo ao famigerado turismo de
massas, que, tal como a monocultura da vaca, terá os dias contados.
Mas, quem fala assim é do contra, é contra o governo, é contra o partido.
O que nos resta? Resta-nos, não nos restam dúvidas, esclarecer e
informar a sociedade civil, pois, está provado que da classe política nada
mais poderemos esperar senão investir milhares e milhares de contos em
betoneiras.
Só com uma opinião pública bem informada e
uma sociedade civil participativa é que se poderá esperar alguma mudança,
o que também não é fácil.
O cenário é preto e
a tendência é para construir em todo o buraco que estiver vago e para
rasgar estradas de Norte para Sul e da esquerda para a direita para
podermos andar mais depressa e mais à roda e para que da rua todos vejam
se estamos na casa de banho ou na cozinha....
Quem não fica a
andar à roda quando nos falam do projecto de uma nova estrada com início
na via rápida, junto à Silveira, atravessando e cortando a meio belíssimos
jardins, quintas e quintais que dignificam a zona de S. Carlos? O
objectivo só parece ser o de estragar o que é bonito e ímpar, porque, é
impensável que alguém no seu perfeito juízo tome uma decisão destas. Como
se projecta uma nova estrada sem que haja um estudo ao trânsito nessa
zona? Há mais de vinte anos que ninguém estuda hipóteses alternativas ao
tráfego nos arredores do centro histórico.
Como é possível,
hoje em dia, decidir-se projectos desta envergadura e com impactes
negativos tão grandes sem que se promova uma discussão pública sobre o
assunto? Como se pretende que alguém acate com uma decisão destas sem que
nos provem, por a mais b, que esta nova estrada é mesmo
necessária e que este é o único traçado possível e viável?
Em que época pensam que ainda vivemos?
Como não se
questiona a degradação da qualidade de vida (aumento do ruído, aumento do
tráfego, loteamentos desenfreados, descaracterização do local) de quem lá
vive e de quem por lá passa? Todo este disparate é em nome da nova Escola
de S. Carlos? Talvez tivesse sido mais inteligente projectar-se uma nova
escola para um sítio menos congestionado
É este o grande
problema deste país. Nunca nada é devidamente planeado e analisado.
São sempre de vistas curtas.
Uma coisa é certa:
quem quer que seja que tenha poder para decidir sobre a execução desta
nova estrada, só não terá de prestar contas, antecipadamente, às pessoas
directamente afectadas por este empreendimento, se elas o não quiserem,
porque, e embora ninguém tenha acatado com as nossas recomendações no
sentido do diploma de Avaliação de Impacte Ambiental(AIA) necessitar
urgentemente duma aplicação à escala da Região, e, por esse facto, não
existe nenhuma estrada nesta Região que necessite dum AIA, o facto é que o
Decreto –Lei nº83/95 de 31 de Agosto - Direito de participação
procedimental e de acção popular dita no Artigo 4º, ponto 1 (...) a
decisão sobre a localização e a realização de obras públicas ou de outros
investimentos públicos com
impacte relevante no ambiente ou nas condições económicas e sociais e da
vida em geral das populações ou agregados populacionais de certa área do
território nacional devem ser precedidos, na fase de instrução dos
respectivos procedimentos, da audição dos cidadãos interessados e das
entidades defensoras dos interesses que possam vir a ser afectados por
aqueles planos ou decisões.
Esperamos que este
seja o início de um processo de participação activa da sociedade civil em
prol da defesa da sua qualidade de vida.
Podem contar
connosco.
Façam-se hotéis e não monstruosidades!
É na qualidade de ser cidadão que vimos
novamente abordar questões relacionadas com Urbanismo e Qualidade de Vida.
Felizmente, já ninguém pensa serem apenas os técnicos quem pode e deve
abalizar sobre questões que dizem respeito ao espaço onde vivemos e,
consequentemente, à qualidade de vida de todos nós. Outrora, temas deste
género, eram tratados nos gabinetes, à margem de qualquer discussão
pública. Para nosso bem, a partir de 1975, começaram a ser publicados uma
série de diplomas que consagram a participação dos cidadãos na tomada de
decisão, no acesso aos documentos da Administração Pública, na
obrigatoriedade de estudos de impacte ambiental e respectivas consultas
públicas, etc., etc., etc..
No caso concreto dos três hotéis que serão construídos na ilha Terceira (Fanal,
Serretinha-Porto Judeu e Silveira - relativamente a este último,
desconhecemos ainda o projecto), é bom que se diga, desde já, que esta
Associação não está contra o facto de os construírem. O que questionamos é
o tipo de hotel que se pretende construir.
Se compararmos o empreendimento proposto para a Serretinha com o que
pretendem construir para o Fanal, temos de reconhecer que no caso do Porto
Judeu houve a preocupação de criar uma relação harmoniosa com o espaço
envolvente. A construção de pequenos edifícios, dispersos e integrados no
declive natural do terreno, o uso de pedra local no seu acabamento
exterior, é, sem dúvida, um aspecto que contribuirá para o enquadramento
paisagístico deste complexo turístico.
Embora o "turista" que se pretenda para o Hotel do Fanal seja diferente da
que se preveja para a Serretinha, é inconcebível que o projecto do Fanal
seja uma estrutura monolítica, sem qualquer originalidade, estrangulando a
bela vista para o Monte Brasil - "O Monte Brasil afirma-se (...), não só
como o centro de uma das mais ricas zonas paisagísticas da Ilha Terceira,
mas ainda como uma zona altamente impregnada pelos eventos históricos
açorianos dos últimos quatro séculos (...). Por estes motivos, torna-se
imperioso e urgente preservá-lo e valorizá-lo. Ainda de acordo com o
Estatuto de Paisagem Protegida do Monte Brasil - Decreto Regional nº
37/80/A, de 7 de Fevereiro -, "Os projectos de que sejam objecto as áreas
que vierem a ser definidas como reservas de recreio, bem como para
qualquer fim de natureza diferente, deverão prever a integração na
Paisagem ...". Relativamente a este assunto - correcta inserção na
paisagem - muitas vezes contestado com base num fundamento de
subjectividade inerente ao juízo de valor de quem está em condições de
poder indeferir, relembramos que existem já estudos e métodos (conceitos
operatórios) que permitem, de algum modo, quantificar e qualificar bens
ambientais de forma a tratar certos juízos de valor subjectivos como
elementos objectivos.
É curioso referir que o Regulamento Geral das Edificações Urbanas (RGEU) e
o Decreto-Lei nº 250/94, de 15 de Outubro, consagram a possibilidade de
indeferimento dum pedido de licenciamento de construção com base numa
incorrecta inserção na paisagem e na envolvente. Todavia, as Câmaras
Municipais raramente recorrem a este argumento, muitas vezes por uma
notória por falta de coragem.
O Hotel do Fanal é flagrantemente desrespeitador da envolvente, não se
coadunando nem respeitando a paisagem urbana e natural onde se situa. Com
a sua construção, perde-se uma das vistas esteticamente mais equilibradas
sobre a baía, Monte Brasil e áreas conexas. Perde-se mais uma janela para
o horizonte deste mar Atlântico, aquela "linha", lá ao fundo, sem a qual
qualquer açoriano se sente no cativeiro.
É preciso que se reflicta sobre o que é e qual é o
desenvolvimento que se pretende para estas ilhas. Desenvolvimento
não pode ser apenas Crescimento. O verdadeiro desenvolvimento
não deverá contribuir para criar áreas de exclusão social, mas, antes,
aprofundar o valor cultural do que já existe. Descaracterizar locais com o
intuito de copiar aquilo que já existe de pior em muitos outros locais (e
que, actualmente, já é evitado por grandes empresários - refira-se o caso
dos empreendimentos turísticos que estão a ser levados a cabo na península
de Tróia e em que se envereda por um total entrosamento dessas construções
com a paisagem demonstrando o máximo respeito pela envolvente), é proceder
descuidada e levianamente à destruição de uma paisagem ainda harmoniosa e
que é mesmo cartaz turístico dos Açores.
Os aglomerados urbanos comportam um espaço e componentes de carácter
colectivo que deverão ser concebidos, construídos, conservados e geridos
e, quando necessário, actualizados, muito em parte, pelo poder local.
Esta actividade municipal de gestão da coisa comum objectivos de carácter
geral que poderemos resumir no conceito de desenvolvimento. Este conceito,
como nos referem eminentes especialistas em urbanismo e ordenamento do
território, dos quais destacamos o Prof. Manuel da Costa Lobo, que, de
resto, seguiremos de perto nesta exposição, encerra uma ideia de promoção
dos espaços humanizados e das suas populações, visando a sua dignificação,
a sua elevação cultural, a sua melhor integração política, o seu conforto,
a oferta de oportunidades de vivência alternativa, uma mas justa
distribuição dos recursos e dos acessos aos serviços.
Como se vê, este conceito de desenvolvimento é muito distante do conceito
de crescimento, que implica aumento de população, crescimento dos
aglomerados, quantas vezes desregrado e descontrolado e que, infelizmente,
é tão frequente e a que urge obviar. Como exemplo flagrante, pense-se na
densificação de uma área central tendo como consequência visível grandes
congestionamentos de trânsito. É, sem dúvida, um crescimento, mas não é
obviamente um desenvolvimento. A população passa, de facto, a viver em
piores condições do que anteriormente, o que não pode apelidar-se de
desenvolvimento.
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